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A discussão acerca da ética é uma das grandes preocupações humanas desde a Antiguidade e parece que tal debate não deve ser encerrado tão cedo. Álvaro L.M. Valls logo no início de seu livro “O que é ética” reflete essa dificuldade de se conceituar a ética quando diz que “ A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta”.
A palavra Ética vem do grego Ethos e é definida no Dicionário Aurélio como "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto”. A ética pode ser entendida então como um estudo das ações ou costumes, bem como a própria realização de um tipo de comportamento.
O jornalista Eugênio Bucci, em Sobre Ética e Imprensa, descreve a ética como o saber escolher entre “o bem” e “o bem” (ou entre “o mal” e o “mal”), levando em conta o princípio da universalidade. A ética seria então optar pelo que é mais justo, ou menos injusto, diante de possíveis escolhas que refletem sobre a sociedade em geral.
No jornalismo o conceito de ética está ligado à deontologia, que seria o dever ser/fazer, uma conduta considerada “ideal”, descrita no Código de Ética dos Jornalistas. Porém, os dilemas éticos ligados à imprensa parecem ir muito além daquilo que está no Código.
Bernardo Kucinski no texto Uma nova ética para uma nova era, discute a crise do vazio ético vivenciada atualmente no jornalismo. Kucinski acredita que jornalistas e futuros jornalistas, têm o desafio de reconstruir a ética em tempos pós-modernos. Uma ética que resgate o pluralismo, a verdade a serviço público, e reelaborada na construção de um profissional contra-hegemônico.
Frente a esse desafio, é preciso criar espaços para a discussão da ética, seja dentro dos cursos de Jornalismo, ou através de eventos, fóruns e debates, levando sempre em consideração a afirmação de Kucinski : “O bom jornalista é necessariamente um jornalista ético”.
Por Jackelyne Brites

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Entrevista com Fábio Alves Silveira, repórter do Jornal de Londrina e autor do livro: "Imprensa e Política - O caso Belinati"
Em seu livro você analisou a conduta ética dos meios de comunicação em Londrina. Gostaria de saber como você os vê hoje em dia?
Faço uma análise na perspectiva marxista, chego à conclusão de que para além das posturas individuais existe uma estrutura na sociedade de classes que não só leva as pessoas a adotarem determinadas posturas, como também ajuda a explicá-las. O agravante é que se na Europa dos séculos XVIII e XIX a burguesia, que suprime a aristocracia e ganha o papel de classe dominante, tem um caráter revolucionário, o Brasil, como país periférico, tem uma burguesia conservadora, que ao invés de avançar em conquistas tenta conservar o status. É o que Florestan Fernandes, em "A revolução burguesa no Brasil" descreve como reflexo de um capitalismo periférico. O que piora a situação de Londrina é que estamos na periferia de uma capitalismo já periférico. Essas estruturas presentes à época do caso Ama/Comurb permanecem, o que significa dizer que apesar da sociedade estar mais crítica quanto à imprensa, um retrocesso não é de todo descartável.
O caso belinati foi até certo ponto "escondido" pela imprensa. Você acha que se isso acontecesse hoje, a atitude dos jornais seria a mesma?
É uma incógnita. Como parâmetro compararia a cobertura do mensalão, no governo Lula, com a compra de votos para aprovar a emenda da reeleição, em janeiro de 1997, na época de FHC. No escândalo sob o governo do PSDB, o assunto morreu em pouco tempo para a imprensa. Existem algumas explicações para isso: antes de mais nada, como diria um amigo meu, o PT se dizia "moça de família" em meio ao bordel da política, mas uma vez no poder, se mostrou tão perverso quanto as demais habitantes do tal bordel. Em segundo lugar, porque apesar do PT ter aderido ao sistema de forma contumaz, adotando as políticas neoliberais e as práticas fisiológicas que antes criticava, a elite arcaica do Brasil ainda não o considera totalmente confiável.
Nós sabemos que os jornais mantiveram essa atitude para "sobreviver". Na tua opinião, como que os jornais devem agir em casos como esse, colocando em primeiro lugar a ética?
Se os jornais seguissem a lógica liberal que defendem no discurso, jamais teriam se omitido sobre o caso Ama/Comurb. Até porque, segundo essa lógica, a credibilidade é o maior patrimônio de um jornal é o que garante a sua viabilidade comercial.
No livro, Você analisou a conduta ética dos meios de comunicações de Londrina. Como você vê essa conduta hoje no Brasil?
Acho que não há grandes diferenças, principalmente nos casos de jornais regionais. Cito o caso de Minas Gerais, que tem uma imprensa completamente vinculada ao governo de Aécio Neves (PSDB). Daí o cara se reelege com 70% das intenções de voto e todo mundo acha que ele é um grande administrador. Mas mesmo a grande imprensa de São Paulo tem lá os seus pecados. Geraldo Alckmin, ex-governador do maior estado do país foi mostrado durante muito tempo como um homem capaz de dar um "choque de gestão" no país e menos de 15 dias depois de encerrado o seu mandato, que foi concluído pelo Cláudio Lembo, uma obra complexa, mas que faz parte do dia-a-dia de uma cidade como São Paulo desaba. E a imprensa não conseguiu antecipar que existiam problemas na obra - que sofreu diversos desabamentos. Isso sem contar que Lembo teve que fazer economia de guerra no segundo semestre de 2006 para conseguir fechar as contas. Quer dizer: a grande imprensa paulista, que adora apontar o dedo para as mazelas dos coronéis do Nordeste ou para as trapalhadas do governo do Rio de Janeiro não cobre o governo do Estado em que estão sediados.
Comunicação e jornalismo, na maioria das vezes, estão ligados ao poder. Como os jornalistas devem evitar essa ligação?
Jornalistas são pessoas inseridas na sociedade, que têm vida particular e preferências políticas, esportivas e de toda natureza. Não são pessoas que vivem alheias ao mundo. Isso significa que no seu trabalho o jornalista lida com assuntos que volta e meia terão interferência na sua própria vida ou que terão relação com a sua postura, sua visão de mundo. Acho que saber separar as coisas é o primeiro passo. E também é o mais difícil. O jornalista que cobre esporte não precisa detestar futebol para fazer uma matéria isenta, digo isenta porque a imparcialidade é uma miragem e ao mesmo tempo um engodo. Ele só precisa deixar o torcedor em casa para conseguir um certo equilíbrio. É preciso ter equilíbrio e bom senso para poder ver as coisas de forma clara. Enfim, acho que não existe uma receita.
Maíra Palmieri

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17:20:51
Falar sobre jornalismo, ética e política não implica somente em dizer que os meios de comunicação de certa forma ajudam políticos a se eleger, ou que defendem algumas posturas políticas. É também dizer que o uso de uma palavra, em determinadas situações, já carrega valores que influenciam na opinião dos leitores.
A escolha do termo "invadir" no caso dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, traz um impacto muito mais agressivo do que o termo "ocupar". Esse detalhe já faz com que muitas pessoas tratem do assunto como uma invasão. Isso já implica opinião política, que de forma sutil é apresentada pelo jornalista aos leitores.
A Veja, por exemplo, é uma revista de direita e não esconde isso de seu público. Mesmo assim, é uma das mais vendidas no país. De certa forma, o fato das pessoas não se incomodarem com o meio de comunicação expressar abertamente seu ponto de vista, é uma forma da população não pensar por si, e consequentemente, não exercer capacidade crítica.
É bom lembrar que as próprias concessões de rádio e televisão são liberadas pelo governo, porém muitos políticos detém dessas, o que é proibido por lei, pois elas não podem ser cedidas à pessoas públicas, ou que tenham alguma relação política.
Em alguns países, a ligação da mídia com o governo é tão grande que põe a própria democracia e liberdade de expressão dos cidadãos em risco. Um exemplo disso, foi o que ocorreu na Venezuela quando o presidente Hugo Chavéz negou renovar a licença de uma estação televisiva ligada à oposição. Ao que tudo indica, no próximo Domingo, Chavéz fechará a RCTV, que é a "Globo da Venezuela". Essa atitude é uma forma explícita de mostrar o poder dos políticos sobre os meios de comunicação, até mesmo "censurando" manifestações contrárias às suas ações.
No Brasil, o caso mais conhecido sobre manipulação política é a edição do debate Collor x Lula, em 1989. Nesse episódio, a Rede Globo editou o debate entre os dois candidatos, mostrando os melhores momentos do Collor, e os piores do Lula. Contribuindo para que o primeiro fosse eleito.
Referências Bibliográficas
http://blogdomello.blogspot.com/2007/05/chavez-rctv-e-liberdade-de-expresso.html
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/iq091220038.htm
*Texto meramente opinativo*
Rafaela Abrão

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17:17:08