Ética na Rede

O Blog reflete sobre o fazer jornalístico. Projeto de extensão da Unopar. São responsáveis as estudantes, Carolina Oldemburgo, Camila Papali, Jackelyne Brites, Karen Krinchev, Maíra Palmieri e Rafaella Abrão, sob a coordenação da profª: Sônia Lenira

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008

25.04.08

Falta de ética marca reportagens

Dois episódios recentes da imprensa brasileira mostram a falta de interesse com a veracidade dos fatos e o compromisso com a ética. Trata-se do mesmo assunto, das ações do Movimento dos Sem Terra, porém cada veículo com sua distorção.


Na edição de 09/04/2008, a revista Isto É publicou uma reportagem com o título “O MST contra o DESENVOLVIMENTO” com uma foto adulterada, de autoria de Cristiano Machado. A imagem de protesto do MST contra a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) trazia a inscrição “Fora Serra”, que sumiu, e deu lugar à inversão da palavra PARE de uma placa de trânsito. (veja foto)

(foto retirada do site da revista Isto É )

Contrariando todas as regras do bom jornalismo, a adulteração peca em dois sentidos. O primeiro, em defender ideologicamente um partido - o PSBD de José Serra, demonstrando uma parcialidade jornalística, já que foi retirado da foto original o texto: FORA SERRA. E num segundo momento, o de gerar novo sentido à foto propriamente dita, invertendo o significado das imagens, como se quem devesse parar fossem os movimentos.
A alteração da foto hoje é possível devido aos inúmeros programas de tratamento de imagens, como o Photoshop, o mais conhecido entre eles. Ao mesmo tempo em que esses programas possibilitaram aumentar a qualidade das imagens, trouxe como aspecto negativo a chance de reverter todas as informações contidas em uma foto.
A reportagem assinada por Octávio Costa e Sérgio Pardellas, para a revista Isto É, defende que os movimentos sociais “está afugentando investimentos, empresas e, claro, empregos”. (Leia reportagem em http://www.terra.com.br/istoe/ ).

Além disso, cita empresas que são prejudicadas com essas ações, como a Aracruz Celulose, Monsanto, Cargill, Bunge e a Vale do Rio Doce, no entanto, sem mencionar, segundo Marcelo Netto Rodrigues e Renato Godoy de Toledo, em artigo publicado no site Brasil de Fato, que essas empresas respondem por acusações de destruição do meio ambiente, desrespeito aos direitos de povos tradicionais e exploração ilegal de trabalhadores.

De acordo com o artigo, nada é por acaso, já que a editora Três, que publica a revista, “é controlada pelo acionista majoritário do banco Opportunity, Daniel Dantas. O banqueiro tem ligações com fundos de pensões, além de uma participação ativa no processo de privatizações de estatais, sobretudo durante o governo de Fernando Henrique Cardoso”.

Jornal Nacional

Outro episódio que vale a pena para uma reflexão ética, foi a reportagem exibida no Jornal Nacional de 09/04/2008. (Assista ao vídeo http://br.youtube.com/watch?v=cp0FHsKUPok ).

Durante toda a matéria, desde o pano de fundo dos apresentadores (onde é exibida a sombra de três camponeses portando ferramentas de trabalho em posições ameaçadoras), busca-se a criminalização dos camponeses. Segundo Marcelo Salles, em artigo publicado no site Brasil de Fato, “quando os militantes aparecem nas imagens, estão montando o acampamento e utilizando folhas de palmeiras - naturalmente já arrancadas das árvores. Quando a matéria corta para ouvir a opinião de um empresário local, ele tem ao fundo exatamente uma folha de palmeira, só que firme no solo - e vistosa, viva”.
Outro ponto percebido nessa matéria é quando o representante da Vale do Rio Doce se explica. “É o que tem mais tempo para se manifestar, tanto tempo que até gagueja”, diz Salles. Além disso, contrariando as próprias regras de jornalismo da emissora, não é mostrado o outro lado, ou seja, a versão dos representantes do MST. A pluralidade das fontes não existe.

Se não bastasse isso, não há nenhuma contextualização dos fatos. O telespectador que não está por dentro dos últimos acontecimentos, simplesmente ingere a informação imposta de forma passiva e não questiona, ou reflete sobre o que lhe foi imposto. Ele é informado que o MST "ameaça invadir a Estrada de Ferro Carajás, da companhia Vale", mas não entende que esta ação tem origem na privatização, considerada fraudulenta pelo movimento, da Companhia Vale do Rio Doce, porque a reportagem “omitiu” este dado. “A companhia foi leiloada, em 1997, por R$ 3,3 bilhões. Valor semelhante ao lucro líquido da empresa obtido no segundo trimestre de 2005 (R$ 3,5 bilhões), numa clara demonstração do prejuízo causado ao patrimônio do povo brasileiro”, informa Salles.

São demonstrações como essas que nos fazem pensar que os jornalistas devem ser mais cuidadosos na transmissão de informações. O Art. 4º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, diz: “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação”. Está mais do que na hora de resgatarmos essa missão social do jornalismo, de transmitir informações de forma precisa, ética e sem interesses puramente mercadológicos.


* Veja artigo: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/jornal-nacional-contra-mst-os-novos-terroristas-da-midia

Por Camila Papali

17.04.08

Entrevista

Mesmo com a existência de um código próprio para a categoria, as questões legais extrapolam e devem ser vista segundo os códigos que norteiam a sociedade. É necessário pensar, pois mesmo com o novo Código de Ética do jornalismo, aprovado em 04 de agosto de 2007, aceitando o uso das câmeras ocultas, ele deixa claro que isso só deve ocorrer quando há “casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração” (Artigo 11, inc.III).
O código ressalta ainda que o jornalista deve “ rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações.” (Artigo 12, inc.V).
Para entender este aspecto sob o ponto de vista jurídico, o blog Ética na Rede conversou com Gabriel Bertin, advogado da Folha de Londrina, mestre e doutorando pela USP.


Provas ilícitas são provas obtidas de forma a violar a lei. Nesse caso, que penalidades o jornalista pode sofrer no caso das câmeras ocultas? Seriam provas ilícitas também?

Essa questão não é simples, ela não tem uma resposta objetiva, mesmo porque a lei não faz uma diferenciação muito precisa sobre que tipo de prova e de imagem é ilícita e qual não é. A Constituição prevê como direito fundamental de sigilo e o direito a vida privada, a privacidade. Essa é uma regra básica e fundamental. Só que existem exceções a essa regra, nem todo direito é absoluto, por mais importante que ele seja. Dessa forma, o direito a privacidade tem também exceções. E essas exceções estão se tornando cada vez mais amplas, ao ponto de correr o perigo de a exceção virar a regra. De a invasão da privacidade se tornar mais comum que a proteção da privacidade. A lei só prevê de maneira expressa, a quebra do sigilo da comunicação telefônica, conversas ao telefone. Então, inclusive para apurar um crime, você não pode interceptar comunicação telefônica sem ordem judicial. Ou seja, só um crime pode motivar um juiz a autorizar o grampo do telefone de alguém, a alguém ser grampeado. De modo que não me parece possível o uso de uma gravação telefônica, isso entraria no conceito de prova ilícita. Quando uma prova é ilícita, ela é ilícita para ser usada no processo. Só que a ilicitude da prova tem uma importância no contexto do processo. Mas o fato de ela ser ilícita não significa que você não possa usar para veicular a noticia. Os jornais usam isso com freqüência.
Existem dois parâmetros dessa invasão da privacidade, tem um que diz respeito ao uso da prova dentro do processo, e tem outro que diz respeito ao uso daquela informação, obtida clandestinamente - mas não propriamente ilícita para esse fim - na divulgação pela imprensa.
Gravar alguém sem estar autorizado não é crime. Só que dependendo da forma que o jornalista executar isso, pode gerar um dano para tal pessoa, derivado da invasão da privacidade. Então, se o repórter invadir a privacidade de alguém, e essa pessoa, alguém tiver algum prejuízo moral por aquilo, o jornalista e o jornal podem responder.
No final, o juiz vai avaliar duas coisas importantes: o direito a privacidade e o direito público à informação. Não tem uma regra pra você decidir qual lado da balança vai ficar mais pesada, vai depender do fato concreto.

De que forma o jornalista pode encontrar provas de grande impacto, como as obtidas pela câmera oculta, sem correr esse risco de ser processado por dados morais?

Daí vai mais outra discussão, que é a existência de um jornalismo investigativo. Para mim, quem investiga é a polícia. Mesmo assim, temos historicamente casos interessantes de investigação feita por jornalistas, como o AMA/Comurb e o Watergate.
Eu acho que se deve tomar o maior cuidado possível, dependendo do que for descoberto, o jornalista tem que antecipar a análise que será feita pelo juiz: essa invasão da privacidade é proporcional ao que eu estou descobrindo?
Se for uma situação da vida privada de alguém, em que não há um interesse público evidente, para mim é invasão da privacidade sem justificativa. No entanto, se a imagem obtida é de uma babá batendo em um bebê, a análise pesaria para o outro lado.
Além disso, há a ocasião de o sujeito optar por uma vida pública. Quem opta pela vida pública tem, naturalmente, uma esfera de privacidade menor. A pessoa quer ser político ou ator famoso, ele naturalmente abre mão de uma esfera de privacidade maior. Mas ainda assim, mantém uma esfera de privacidade. Resumindo: o jornalista não pode ser irresponsável.


Qual é o peso que a imprensa tem, ou que pode ter, no julgamento dos processos, em relação a acelerá-los?

Quanto a acelerar o processo, eu acho que ela tem efeito relativo. Podemos pensar no caso AMA/Comurb. Na época houve uma divulgação muito mais forte do que essa atual, dos vereadores. E isso deu muita força para quem estava investigando o caso.
O outro lado dessa história é de, em alguns casos, inclinar o juiz, tornando mais difícil para ele absolver o acusado. Isso ocorre porque a veiculação, às vezes diária do fato, traz pré-julgamentos. Dessa forma, para o juiz absolver vai ser preciso muito mais coragem do que para condenar. O caminho mais fácil pra ele é condenar.
Então pode sim, mas isso tem que ser dito com cuidado, porque depende do juiz, depende da situação. Pode ser um problema. Não é necessariamente, mas pode ser.

Como o ocorrido no caso Escola Base, alguns jornalistas agem como se estivessem acima da lei. O que o senhor tem a dizer a respeito?

É evidente que para muita gente a divulgação é mais grave do que a pena do crime. Então a imprensa dizer que um vereador é corrupto é, provavelmente, mais grave provavelmente que a própria pena que ele vai receber no processo. Isso aumenta muito a responsabilidade de quem divulga. Mas isso também é inevitável. O jornalista precisa ter uma fonte muito boa e elementos concretos. Eu não vejo muita alternativa. Esse conflito entre a possibilidade de ofender alguém e a divulgação da notícia é eterno.

O senhor acha que a mídia atua como um quarto poder?

Não sei se é quarto, quinto ou sexto, mas eu sei que tem poder. Qual poder é, eu não sei te dizer, mas tem bastante poder, com isso precisa ter muita responsabilidade.

Por Rafaella Abrão

15.04.08

Imprensa e interesse público

Publicada pela Folha de Londrina (09/04/2008), a matéria “Câmara tenta se blindar contra a imprensa” traz declarações interessantes sobre como alguns vereadores de Londrina se posicionam em relação à divulgação, por parte da imprensa, de denúncias sobre supostas irregularidades em projetos de lei aprovados ou em tramitação dentro da Casa.
A Corregedoria determinou a instalação de uma sindicância para evitar que determinadas informações sejam anunciadas pela imprensa. Além disso, o assessor que divulgá-las corre o risco de ser exonerado. O corregedor, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), defendeu que a imprensa não pode se envolver nessas discussões, que de acordo com ele são “problemas de vereador com vereador”. Além da sindicância, foi proposta, pelo vereador Jamil Janene, a criação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI). De acordo com a matéria da Folha, a CEI poderia convocar jornalistas “a citar tanto os assuntos referentes ao Legislativo, sob apuração, quanto as fontes das quais eles pudessem ter partido”.
Com isso, os vereadores agem como se o assunto em questão fosse particular, logo a imprensa estaria invadindo a privacidade deles. No entanto, a partir do momento que uma pessoa se dispõe a ser pública (no caso, como governante), a privacidade dela será relativamente mais limitada.
Decorrente disso, a imprensa enfrenta o dilema entre interesse público e interesse do público. A diferença entre os dois, é que enquanto o primeiro trata-se de informações relevantes (e necessárias) à população, o segundo diz respeito a assuntos atraentes à população. Dessa forma, quando o jornalista se depara com informações cujo interesse é público, ele não só pode, como deve divulgá-las. A sociedade precisa ter acesso aos assuntos tratados na Câmara, mesmo porque os representantes do município são escolhidos pelo povo.
Em relação à proposta de exposição das fontes, a Constituição (art. 5º) afirma que “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. Cabe, então, ao jornalista - e não à Corregedoria - resolver quanto ao uso do off.
A democracia depende da participação e do acompanhamento do cidadão nos assuntos políticos. Dessa forma, proibir a divulgação de informações públicas é, além de censura, um desrespeito à sociedade.


*Ttexto meramente opinativo*
Por Rafaella Abrão

11.04.08

Ética, Mídia e Isabella

Em algum lugar, há uma criança pensando sobre um caso tão recente: Tadinha da minha amiga Isabella né! Tinha cinco aninhos só. Ela tem aparecido de uma forma tão cruel em revistas e jornais. Talvez o sonho dela até fosse aparecer na televisão, ser apresentadora, aparecer bonita, arrumada, sorridente e feliz. Mas alguém muito mal tirou isso dela. A mamãe, o papai dela, tia Carol, como ela chamava à madrasta, os irmãozinhos dela e de toda a sua família estão dia-a-dia sendo julgados de forma inconseqüente.

Agora ela está com Deus, que cuida e a protege! Mas tenho certeza que ela está olhando todos os dias lá de cima o que acontece aqui embaixo. O papai dela e a tia Carol não estão mais passeando pelas ruas, a mamãe dela tem ganhado flores e abraços carinhosos. Ela deve ver uma coisa da qual não goste muito, um monte de gente entrando e saindo de sua casa, vasculhando seus brinquedos e revirando o quarto todinho.

O mais estranho é que quando ligo a televisão sempre aparece o mesmo moço pra falar da Isa, todo arrumado, de terno e gravata falando do que aconteceu, com um monte de palavras difíceis, como se ele estive lá, no dia em que aconteceu aquilo. Daí me pergunto, será que ele quer destacar a imagem através da imprensa ou a imprensa que quer destacar a imagem dele? Os noticiários colocam tanto juízo de valor quando sai qualquer fato novo, argumentando com palavras pesadas como: Ela foi arremessada, jogada, atirada, empurrada. Daqui um pouco vão começar a dizer que a Isa queria se jogar.

O Jornal Nacional a vê como um medidor de audiência, sempre fala dela antes de noticiar assuntos mais urgentes. Por exemplo, daquelas 100 mil pessoas que estão com fome, frio e sem casa lá no Nordeste do Brasil, devido às enchentes. Outra coisa que me questiono, é porque o caso dela é tão importante quando comparado com outras crianças que morrem de um jeito muito pior todos os dias e ninguém dá atenção. Todos fecham os olhos, em favelas e bairros onde o nível econômico é inferior.
Acredita que tem meninas da idade da Isa que não tem boneca? O papai e a mamãe da Isa sempre a presenteavam faziam festa com palhacinhos, bastante comida, bexiga, pula-pula e tudo o que ela queria. Acho que a família da Isa poderia doar as bonecas dela para essas crianças que não tem nada né!

Ontem à noite antes de dormir, enquanto rezava comecei a conversando com Papai do céu, para saber se ele poderia me falar mais sobre a Isa. E perguntei pra Ele, porque ela tinha sido escolhida para ser capa de jornal de uma forma tão cruel. Sabe o que Ele me respondeu?

Papai do céu: Meu filho a imprensa muitas vezes esquece-se da ética com o cidadão.

Menino: Mas papai, a mídia não tem visto o lado da Isa nessa história toda, por quê?

Papai do céu: Porque o interesse deles é descobrir quem é o culpado agora. Como se fosse uma novela, para saber quem matou a Isabella.

Menino: Acho que ela tem sofrido muito ai em cima né? Esse caso me fez lembrar de uma história bem interessante. Uma vez eu estava conversando com minha avó, e ela me contou uma história de muito tempo atrás. Algumas professoras de São Paulo de uma escola chamada Base, foram acusadas de estarem praticando um crime, apontado como pedofilia. A imprensa divulgou o caso sem medir as conseqüências, e a quem ele poderia vir a afetar. Pois era um prato cheio de pautas. Falaram mal das professoras, diagramaram páginas de jornal repletas de sensacionalismo, usaram as palavras mais esdrúxulas já vistas pela imprensa. Um juízo de valor, que a sociedade aderiu como verdade absoluta. E no final de todo esse espetáculo, não teve aplausos, só restaram lágrimas. Imagina o caos emocional que a imprensa causou com essas famílias. Muito triste isso.

Papai do céu: Pois é meu filho, essa é uma lição que a imprensa não deve esquecer. Deveriam ter aprendido a colocar seus valores éticos e morais em toda matéria a ser realizada. Agora só podemos rezar para que os homens sejam justos e façam justiça!

Texto meramente opinativo
Maíra Antunes Palmieri
5° Semestre de Jornalismo


10.04.08

E agora a vez é deles...

Vamos agora dar a vez aos estudantes. Nem todos os cursos têm na grade curricular o estudo da ética, mas todos têm suas opiniões sobre o assunto. Se não viram nas salas de aula, ouviram nos noticiários, em casa, com amigos. Alguns podem ainda não saber o que é, pra que serve, mas sempre falam a respeito. Afinal, o que estes futuros profissionais pensam sobre ética no jornalismo?



“É difícil falar se existe ética ou não, pois as pessoas pensam diferente, tem culturas diferentes e por isso o que é ético para um pode não ser para o outro. Ética é a responsabilidade que as pessoas demonstram ter com elas mesmas, com o meio ambiente e com as empresas. Entendo que o trabalho do jornalista seja buscar informações dos fatos, não importam se boas ou ruins. Muitas vezes, as informações não são exatamente o que foi expresso pelo entrevistado, mas nas entrevistas os jornalistas tendem a influenciar para formar uma reportagem que desperte interesse ao leitor. As noticias são feitas em base de atingir interesses, despertar o desejo da leitura, informar o cidadão e de nada adiantaria se não tivesse um cliente. Creio que um cidadão ético não é um profissional ético, pois a ética depende de culturas, interesses, poder e nem sempre somos assim. Isso acontece principalmente diante do nosso trabalho, pois a cultura da empresa pode não ser a mesma que a do funcionário. E diferenças é o que mais tem no mundo de hoje e na maioria das vezes abrimos mãos da nossa “ética” para continuar em uma organização.”

Deise Veríssimo Ferreira, estudante de Administração de Empresas.





“Se levarmos em consideração que ético é um modo correto e “lícito” de agir, através de princípios como a honestidade e idoneidade, por exemplo, pode-se dizer que a maioria dos meios de comunicação e profissionais não costuma ter a ética como seu parâmetro de funcionamento pelo seguinte motivo: a ambição. Apesar de existirem códigos de ética em praticamente todas as áreas profissionais. Na minha opinião, mais especificamente no país em que vivemos, a tendência é que os veículos de comunicação ajam com o fim de atingir os seus próprios interesses do que efetivamente sejam imparciais. Na ânsia de uma matéria melhor, ou mais especulativa e escandalosa o jornalista acaba se descuidando de princípios que ele mesmo se comprometeu a seguir quando da escolha de sua profissão. Apesar de ser um descuido, não foge do âmbito da falta de ética. Lembrando que o jornal é apenas o meio comercial através do qual o jornalista expõe suas idéias ou matérias, ou seja, antiético será o jornalista. Não se pode generalizar os estereótipos por causa do erro de alguns. Assim como em todas as áreas profissionais ou quaisquer que sejam, determinadas pessoas agem com um senso antiético que não deve ligá-las às demais pessoas que agem de maneira idônea e honesta. Há sim, jornalistas que manipulam informações e, conseqüentemente, influenciam na opinião das pessoas. Porém, há também profissionais comprometidos com o que fazem e com a imparcialidade e veracidade de suas informações. A notícia é usada hoje como meio de lucro, e não mais com a finalidade informativa com que devia. É através de notícias informativas com opiniões e pareceres sensacionalistas de colunistas ou quaisquer profissionais da área jornalística envolvidos que as empresas vinculadas a meios de comunicação conseguem as astronômicas quantias financeiras que ostentam cada vez mais poder e luxo. A necessidade de vender a notícia hoje em dia prevalece diante da ética no meio de comunicação.”

Luís Alberto Mangili Gomes, estudante de Direito.




‘’Não acredito que existe ética nos meios de comunicação por causa do sistema mercadológico. Neste caso, por exemplo, as empresas estão muitas atreladas à publicidade do capital, e podemos dizer que os meios de comunicação se incluem nelas. Os veículos tentam seguir ética, tentam debate sobre isso. Mas não acho impossível ter uma conduta ética nos meios de comunicação pela ligação da empresa com o capitalismo. Com os profissionais é possível, principalmente por causa do estudo de ética que tem nas faculdades de comunicação social. O problema é a hora que você entra no mercado de trabalho, como posso dizer quando você entra em campo se você consegue conciliar aquilo que você aprendeu com a realidade. Dependendo do enfoque que dá para matéria, dependendo da forma com que ele escreve títulos, por exemplo, pode influenciar perfeitamente. “


Paulo Augusto Sebin, estudante de Comunicação Social – Jornalismo.

Por Ana Carolina Oldemburgo