Ética na Rede

O Blog reflete sobre o fazer jornalístico. Projeto de extensão da Unopar. São responsáveis as estudantes, Carolina Oldemburgo, Camila Papali, Jackelyne Brites, Karen Krinchev, Maíra Palmieri e Rafaella Abrão, sob a coordenação da profª: Sônia Lenira

Ética na Rede

O Blog reflete sobre o fazer jornalístico. Projeto de extensão da Unopar. São responsáveis as estudantes, Carolina Oldemburgo, Camila Papali, Jackelyne Brites, Karen Krinchev, Maíra Palmieri e Rafaella Abrão, sob a coordenação da profª: Sônia Lenira
<  Julho 2008  >
S T Q Q S S D
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31      
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Julho 2008

24.07.08

Comunicação comunitária também exige ética

        Nas próximas edições a Equipe Ética na Rede estará publicando entrevistas dos alunos de graduação em Jornalismo feitos no semestre passado para a disciplina Ética jornalística II, quando cursavam o terceiro semestre do curso. Na seqüência faremos um especial com materiais produzidos pelos alunos da pós-graduação em Assessoria de Imprensa na Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). O nosso intuito é integrar trabalhos feitos em sala de aula, abrindo e incentivando a participação das pessoas em nosso blog.
        Agora, confira a entrevista com professor da UNOPAR e assessor de imprensa da Prefeitura de Londrina Reinaldo Zanardi. O texto foi produzido pelas acadêmicas Ariane Pires, Josiane Moreira, Paula Duarte e Raquel Mika.


       Reinaldo César Zanardi formou-se em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1993. Zanardi já foi assessor de imprensa de empresas e movimentos populares, e hoje, atua como assessor de imprensa da Prefeitura de Londrina e também é docente de redação, comunicação e comunidade, laboratório de jornalismo imprenso e online na Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) desde 2000.
       Desde 2003, Zanardi mantém um projeto de extensão Gente Comum, associado à disciplina de Produção em Comunicação Comunitária. Trata-se de um projeto comunitário que visa melhorar a qualidade do ensino dos alunos e integrar o ensino desenvolvido nos laboratórios da Unopar com a prática jornalística comunitária. Os alunos participantes são do 2º ao 4º ano. Ao todo são 63 alunos envolvidos no projeto.
       Em 2006, o projeto Gente Comum recebeu o segundo lugar na categoria Projeto em Radiojornalismo com ”A voz da criança no jornalismo comunitário”, e o terceiro lugar com “Gente de Talento” no 11º Prêmio Sangue Novo no Jornalismo Paranaense, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, em Curitiba.

1 - Quais são as diferenças entre mídia comunitária e comunicação em massa?

Comunicação em massa é feita principalmente pelos veículos comerciais, como o nome diz: para as multidões. Ela tem um interesse comunitário muito grande que toda informação de melhoria da quantidade de uma população, seja pelo asfalto, seja pela saúde, seja pela creche, tem um interesse e vai ajudar a comunidade. Já a mídia comunitária, entendida como instrumento da comunidade, essa comunidade participa de forma ativa. Estabelecem o que é notícia, o que é conteúdo, e se inserindo de forma ativa nesse processo, “dizendo” como ele quer que a notícia seja veiculada. E na comunicação de massa é apenas um expectador.


2 - Você acha que a ética é diferente na comunicação comunitária e comunicação em massa?

Depende do profissional, você pode ter profissional anti-ético na mídia comunitária e anti-ético na mídia convencional.


3 - É possível determinada fonte se auto promover em cima da função de repassar informações? Como isto acontece? Já presenciou alguma situação?

Toda fonte que é fonte de informação, querendo ou não ela tem seus interesses, e elas tem como se promover quando elas são fontes de informação de determinados veículos ou jornalistas. Isso não é ruim, porque todo mundo se auto promove, como você se auto promove? Com base na mentira, com base na manipulação? Esse é o problema. Imagina uma liderança comunitária, que luta pela melhoria da qualidade de vida de um bairro, melhoria de asfalto, serviços públicos, creche, escola. Se ele luta por isso ele acaba tendo visibilidade, é um processo natural, se auto promover não é o problema, o problema é o que se faz para se promover. Situações? Acontecem todos os dias, tanto na comunidade, lideranças comunitárias, como lideranças que não são comunitárias. Um exemplo que é legítimo, os moradores que fazem parte do conjunto Neuma Sayhum, na região sul de Londrina, que tem problemas, de casas que foram construídas, num local que é de preservação ambiental, os líderes de movimentos que estão horas na câmara, na prefeitura, estão na imprensa, estão se auto promovendo. Só que eles têm que se organizar porque aquilo é irregular e eles pagaram por um produto que é ruim.


4 - Até que limite a falta de ética deve ser aceitável?

Falta de ética nunca é aceitável, você deve estabelecer uma relação do que você pode fazer de errado, já parte de algo que é errado. Agora se você perguntar para os profissionais se eles já tiveram atitudes que não foram tão éticas, dependendo da situação, muitas vezes todos já passaram por isso, agora você tem falta de ética que acarreta um tipo de prejuízo que é pequeno, e outros que grandes. Exemplo: Não checar o nome de uma fonte e publicar errado, não checou? É falta de ética, essa não traz um prejuízo muito grande, apenas para a pessoa que tem o nome grafado errado. Agora você dizer que uma pessoa matou outra, isso não é verdadeiro, o prejuízo é muito maior.


5 - Sabemos que o sensacionalismo está claramente presente dentre os meios de comunicação, você acha que isso acontece devido à abertura e importância que foi dada a eles? De quem é a culpa? Como reverter isso?

Eu chamaria de responsabilidade, e não sensacionalismo. Geralmente quem tem uma ação sensacionalista, é irresponsável, porque o peso da irresponsabilidade dele dá pra medir, enquanto o peso do sensacionalismo, fica no próprio sensacionalismo. A responsabilidade dá muito mais conta de você traçar uma relação ética, do que o próprio sensacionalismo, acontece por vários fatores, principalmente porque o jornalista quer se auto promover e o veículo não quer perder a possibilidade de publicar uma notícia, por medo de levar um furo, não checar a informação e não faz o processo necessário, passa por cima de uma série de fatores que precisam ser cumpridos, e acaba sendo irresponsável. Tem uma parcela muito grande de responsabilidade de um veículo de comunicação e principalmente do profissional, falam que a pessoa é anti-ética e sensacionalista, porque o dono quer. Pergunte para os profissionais quanto tempo de casa, e quantas vezes o dono do jornal foi lá. A linha editorial do jornal é feita no dia-a-dia pelos profissionais. Mas, o público também tem parcela, apesar de muitas vezes nem saber que o sensacionalismo existe. Depende muito do leitor, para saber questionar.


6 - É possível ser ético e ser um assessor de um político corrupto? Como?

É possível, é difícil, e esse assessor vai ter muita dor de cabeça. Se a prática do assessorado não é uma prática ética, o trabalho do assessor vai estar comprometido. Ele não tem uma autonomia cem por cento.

 

Por Ana Carolina Oldemburgo

10.07.08

Pelo direito à formação e informação

     A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou essa semana um Manisfesto intitulado: “Em defesa do Jornalismo, da Sociedade e da Democracia no Brasil”. O texto relata que o Supremo Tribunal Federal, está para julgar o recurso que se aprovado elimina a obrigatoriedade do diploma de Curso Superior em Jornalismo para exercer a profissão.
     Muito mais do que simplesmente conseguir um diploma, o curso superior significa qualidade no exercício de qualquer profissão, não só do jornalismo. Extinguir a obrigatoriedade do diploma pode comprometer diretamente na qualidade das informações que seriam repassadas à sociedade, já que qualquer pessoa independentemente da formação poderia atuar como jornalista.
     Além disso, a exigência de diploma não estreita a liberdade de imprensa nem significa que as demais pessoas ficam impedidas de se manifestar na mídia. Elas podem sim dar sua opinião através das colunas, espaços do leitor, seções de cartas, entre outros. E assim como tem direito à liberdade de expressão a sociedade também tem direito de receber informação de qualidade apurada por profissionais que possuam formação teórica, técnica e acima de tudo ética para isso.
     Talvez por esse e por outros motivos é que seja necessário reacender as luzes em torno do debate sobre a criação do Conselho Federal dos Jornalistas que, entre outras coisas, vê a necessidade da formação para exercer a profissão, como forma de garantir um jornalismo responsável e de qualidade. Mas isso já é assunto para um outro post. O que o Ética na Rede quer saber agora é a sua opinião, seja como estudante, jornalista ou cidadão.
     O Manifesto da Fenaj na íntegra pode ser acessado em: http://www.fenaj.org.br/diploma/manifesto.doc

     Você é a favor ou contra a obrigatoriedade do diploma?!Pense e comente a respeito!

Por Jackelyne Brites