| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | ||||
| 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |
| 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 |
| 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 |
| 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 | 31 |
Em entrevista aos alunos Elaine Damasceno, Roberto Ortega, Andréia Reis e Alexandre França, para a disciplina de Ética Jornalística II, o sociólogo e professor da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Wilson Sanches expõe a sua visão sobre os embates éticos na imprensa atual e as conseqüências na sociedade . Editado por Camila Papali.
O sociólogo faz parte do corpo docente da Unopar e leciona disciplinas que envolvem “comunicação e sociedade”.

1. A jornalista Elaine Tavares afirma que o fato jornalístico não surge do nada, que tem uma causa, você acredita que a grande mídia observa ou procura saber a causa da notícia que expõe com ética?
Primeiramente precisamos saber o verdadeiro papel da imprensa nos dias atuais e o que sempre foi dito que seria papel da imprensa, que é mostrar o que está acontecendo. O que acontece na verdade é a procura, a busca do termo “furo”. O “furo” demonstra que há uma procura por parte da imprensa pela notícia e informação. Nesse sentido, talvez seja uma procura ética quando você busca conhecer as fontes, analisar os vários lados da história. O fato em si, não necessariamente é um fato que se auto-explica, ele precisa de vários outros elementos para explicá-lo, e a explicação desses elementos pode mudar a visão das pessoas sobre o acontecimento. Então dentro de uma perspectiva de coerência do jornalismo, o “pesquisar o assunto”, o “ir atrás” é extremamente fundamental e benéfico.
2. Qual é o caminho alternativo para barrar o sensacionalismo e democratizar o acesso à informação?
Democratizar o acesso à informação é complicado porque nós ainda estamos em um tempo que as mídias têm seus proprietários e, portanto, o acesso é restrito. Publica-se aquilo que os proprietários querem que se publique. Eu acredito que com a internet temos sim um princípio de democratização, pois é um meio que eficazmente tem ida e volta, ou seja, é um duplo caminho que a pessoa não é apenas um consumidor passivo de notícia, mas também pode se reproduzir, pode falar aquilo que quer. Então a internet é uma via importante dentro da democratização do sistema de comunicação como um todo. Em relação ao sensacionalismo fica complicado, porque como a mídia comercial vive da exposição, da venda do seu tempo, da venda do espaço, ela precisa de coisas que chamem a atenção do seu publico para si. E nisso ele acaba explorando certos assuntos de forma sensacionalista a fim de atrair essa mídia, afinal vivemos em um sistema em que o lucro impera e essas empresas não são empresas filantrópicas, elas tem que visar manutenção e lucro. Eu não sei se minimizaria o sensacionalismo uma conscientização do público por uma busca menor de sensacionalismo. Há sensacionalismo de algumas matérias que ao invés de atrair a atenção, causa certo repúdio, e aí é deixada de lado. Pois sempre que há repúdio do público, ou seja, do leitor, do ouvinte, do telespectador em relação isso, a mídia faz uma auto-crítica e troca de assunto. Ela vê que expôs demais.
3. Falando do modelo on-line de jornalismo, segundo Alberto Dines, a sociedade está acatando o modelo on-line para se manter informada, dando mais credibilidade à sites do que à jornais impressosi. Você acha que os benefícios das novas tecnologias podem trazer um formato de modelo democrático de acesso à informação?
Ele pode ser um modelo democrático, não sei se no Brasil se configura dessa forma, tendo em vista que uma parcela minoritária tem acesso de fato à internet e a outras mídias. E quando eu falo acesso de fato quero dizer em ter habilidade suficiente para você manusear o instrumento, não simplesmente um site de busca ou um lugar para pesquisar um trabalho escolar, mas sim um lugar onde você tenha domínio do ambiente. Então se você coloca no aspecto domínio do ambiente o número de pessoas que terá acesso será mais restrito ainda. A possibilidade está ai. Só que o questionamento que se cria se essa total liberdade ou quase total liberdade que se tem na internet não gera também um problema ético. Afinal, não se tem compromisso com aquilo que está escrito. Muitos blogs e sites não têm uma vinculação direta entre a pessoa que escreveu e com o que está escrito. O autor é virtual, ele pode escrever qualquer coisa sem danos a si próprio. O que não acontece na mídia impressa, pois nesse modelo de mídia é vinculado o que está escrito a quem escreveu. O site que faz essa ligação goza de credibilidade.
4. O capitalismo é visto como o grande culpado pela falta de ética nos veículos. Você acredita que outro sistema político resolveria esse problema?
Eu acho que o capitalismo produz um determinado tipo de falta de ética por assim dizer, mas se analisarmos a história como um todo, podemos observar uma história incessante de homens que lutam pela ética. O elemento anti-ético está sempre presente, independente do sistema. É um problema de relacionamento entre os homens. Eu acho que o capitalismo tem a sua forma, ou seja, a forma do lucro, a forma de transformar tudo em mercadoria, tudo é feito para o mercado, então se o mercado rejeita, eu mudo o formato para o mercado aceitar. Agora, se você pega o comunismo real como teve, por exemplo, a União Soviética, você tem a censura por parte do estado porque não permite que certas coisas sejam publicadas, ou seja, só se publica o que é a favor do estado, se publica o que o estado quer. Então também é uma forma de não agir ético. E os jornalistas que estão nesses países ditatoriais têm sua maneira de burlar as leis e burlar a própria ética, ou seja, eu quero que meu texto seja publicado então não vou falar mal do governo. Diferentes formatos geram diferentes formas de não cumprir a ética. O que tem que se pensar, é que sempre há uma discussão em torno do que é a ética, essa relação entre os seres humanos, o que norteia as relações entre os homens, e cada tempo ele vai precisar de um formato novo de ética, de um pensamento novo sobre as possibilidades éticas, pois as possibilidades anti-éticas estão postas pelo próprio sistema.
5. A imprensa sensacionalista assume liderança de público principalmente no formato televisivo, o qual gera tanto sucesso. Você acredita que a imagem é comprada ou é realmente aquilo que as pessoas querem ver?
Tem duas coisas. Primeiro, o formato televisivo é extremamente atraente em um país que há um grande número de não leitores. A televisão é atraente, porque tem uma linguagem, fala e imagem. Não necessita ler. O caso sensacionalismo de programas que vão atrás de notícias de cunho policial, faz voltar na questão de que o povo sente que alguém está fazendo justiça por ele. Que alguém está indo atrás, que não está sendo encoberto, que está sendo posto e que está sendo revelado a todos. Não sei se também por parte de quem faz isso também não há esse tipo de sentimento, porque uma coisa é você falar do que é o problema, a outra é você mostrar o que move as pessoas a fazerem isso. É lógico que o canal televisivo que propõe isso não vai manter isso no ar se não tiver audiência, porque precisa de audiência para manter suas propagandas, para manter o seu ganho, pois é um custo alto.E quem produz isso, talvez também seja motivado a fazer justiça. As pessoas assistem por se identificarem com todo o acontecido e ver que alguém intercede por ele em instâncias maiores.
Por Camila Papali

criado por Ética na Rede
23:18:00Em entrevista produzida para a disciplina Ética Jornalística I, no primeiro semestre deste ano, pelos alunos da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) Jaqueline Gibim, Mayara Cunha, Vitor Hugo e editada por Maíra Palmieri. Teve a presença do o ex-professor e atual editor-chefe da TV Sinal em Curitiba, Edenilson de Almeida.
Almeida formou-se em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1992. Fez pós-graduação em Administração de Marketing e Propaganda pela mesma Universidade, em 1996. Após cinco anos defendeu o Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), com a dissertação “A notícia nacional – como o Jornal Nacional decide o que é notícia”. Ele já trabalhou para a Folha de Londrina, TV Cidade afiliada do SBT em Londrina, Jornal de Londrina (JL), TV Coroados (Londrina), TV Paranaense (Curitiba), TV MIX onde foi produtor/apresentador do Mix Cidadania, produtor e editor do Factual e Viva Bem, colaborador da Editora Abril, produzindo reportagens para as revistas Viva Mais, Cláudia e Viagem e Turismo, outros trabalhos que já exerceu. Atuou também como Assessor de Imprensa nas diversas oportunidades, destacando os trabalhos feitos para a Saúde 99 Feira Internacional da Saúde, Filo 2002,Catuaí Collection 2003, Metamorfose 2006, Metronorte. A partir de 1999 começou a carreira acadêmica, ministrando aulas na Fundação Municipal de Assis (FEMA), estado de S. Paulo, Universidade Norte do Paraná – Unopar e Metropolitana (ambas em Londrina), Uniandrade e Universidade Tuiuti do Paraná (ambas em Curitiba). As disciplinas dadas por Almeida sempre foram Técnica de Reportagem, entrevista e pesquisa jornalística, história do jornalismo e telejornalismo.
A entrevista feita pelos alunos discute o tema da Importância da Escola de Jornalismo na formação da ética profissional.
1 - Como você definiria ÈTICA?
Eu vejo a ética como um princípio de conduta que permeia as relações humanas, principalmente naquilo em que não exista uma regulamentação formal estabelecida. Um exemplo bem simples, talvez até vulgar, é não fazer com os outros nada que não gosto que façam comigo. No campo do jornalismo, aceitar convites para shows, cinema, "rega bofes", presentes de empresários, políticos é agir com falta de ética. Não é só isso. Talvez seja o exemplo mais fácil e próximo. Aliás, muitos estudantes de jornalismo já me disseram que entraram no curso para irem aos estádios sem pagar. Se vocês quiserem um sinônimo bem corriqueiro, acho que ética tem a ver com "vergonha na cara". Certamente no campo teórico, vocês já encontraram outras definições. Mas vergonha na cara acho, neste momento, o que melhor defina a ética.
2- Você acha que se o estágio fosse regulamentado, os alunos conseguiriam ter uma visão mais ampla de como exercer um trabalho ético? Por quê?
Não vejo relação entre as duas situações. Se o estudante não tem ética na vida, na universidade, se ele copia matéria da internet e tenta enrolar o professor, se não cumpre os prazos estabelecidos, se não aprendeu com os pais a respeitar o outro, terá muitas dificuldades em se relacionar com as pessoas. E isso independe de lugar. Um estudante que desrespeita a Lei Seca, por exemplo, não precisa ir para a redação de um jornal, estagiar na assessoria de imprensa da Polícia ou de um hospital, para aprender que não pode beber e dirigir. Vocês, estudantes da Unopar, não vão ter ética porque tiveram aulas sobre o tema. As aulas trarão a reflexão, nunca a atitude. Da mesma forma, estagiar não fará de nenhum aluno mais ou menos ético. Por mais paradoxal que possa parecer, ética não se aprende. Ou se tem, ou não se tem.
3 - Um trabalho feito com ética, quais principais requisitos para exercê-lo?
Dentro do jornalismo, técnica e teoricamente, parece bem simples: apurar as informações, levantar os dados, não distorcer falas e opiniões, não tirar do contexto, ouvir todas as partes envolvidas, não emitir opinião, não dar o "carteiraço", tratar as pessoas com respeito independentemente do cargo e poder que elas tenham. Parece simples. Mas viver isso é um grande desafio diário. Acho que foi o Cláudio Abramo que disse que o jornalismo é o exercício cotidiano do caráter. Eu concordo totalmente com ele. Estabelecer uma relação de confiança com a fonte e não decepcioná-la, saber ouvir é talvez sejam os primeiros passos para uma longa caminhada que não se esgota nunca.
4 - Como cobrar uma postura ética?
Acho que a melhor forma é pelo exemplo. Só se pode cobrar uma postura ética, sendo ético. Nas relações de autoridade, o exemplo é a melhor pedagogia. Eu parto do princípio que não posso cobrar do outro algo que nem eu faço. Como editor-chefe da TV Sinal, além de primar pelo bom texto, pela correção das informações, com o respeito às fontes e ao público, a minha própria postura precisa demonstrar isso para toda a equipe. Do contrário, não se consegue absolutamente nenhum resultado.
5 - De todos os empregos que atuou, já teve algum episódio que você considerou uma postura antiética?
Na minha modesta avaliação, creio que eu, diretamente, nunca tenha sido anti-ético. O que não significa que os veículos não tenham sido. Vou citar apenas um exemplo que me envolvia diretamente: quando eu tinha a coluna sobre televisão no Jornal de Londrina, eu publicava as opiniões dos leitores – mesmo quando eles discordavam de maneira desrespeitosa. E jamais retruquei uma crítica, porque no final das contas, a última palavra sempre seria minha. Se eu tenho o direito de publicar minha opinião, o leitor tem o mesmo direito de discordar e devo publicar a opinião dele.
6 - E uma postura ética, da qual você admirou?
Não foi de um veículo de comunicação diretamente, mas da polícia. Londrina teve um delegado chefe que proibiu as emissoras de rádio e televisão de entrevistarem os suspeitos de crimes. Toda a imprensa chiou, mas eu fiquei fã do delegado por uma razão simples: só bandido pobre e negro vai para aqueles "paredões" que fazem a "festa" dos programas policiais. "Bandido" graúdo negocia rendição porque tem direito à própria imagem. O delegado estendeu essa prerrogativa a todos, preservando os pobres e negros. Jornalista também deve respeitar a lei e tratar a todos com igualdade.
7 - Discute-se muito sobre a criação de dois códigos de ética; um para os assessores de imprensa e outro para os ‘jornalistas’. Você defende a criação de códigos distintos?
Coloco uma reflexão: para fazer assessoria de imprensa, o cidadão precisa ser jornalista. Jornalista é o profissional que apura as informações, depura-as e repassas ao público . Se o assessor de imprensa tiver isso em mente, preocupar-se em transformar o assessorado em notícia – correta e sem distorções – para o público e não para o empresário, ele não precisa de um código diferente. Mas se isso não for possível, o mais recomendável é que tenha outra regulamentação. O que nós não podemos achar é que assessor de imprensa faz marketing da empresa. O assessor é a interface entre a empresa e a imprensa, sempre levando em consideração o que é notícia. Se o profissional não consegue diferenciar os papéis, então é melhor responder a um código diferente.
Por Maíra Palmieri

criado por Ética na Rede
20:32:01