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Em entrevista aos alunos Bruna Ferreira, Ítalo Rodrigo, Karina R. Giorgiani e Nereu Pereira , para a disciplina de Ética Jornalística II, o jornalista e professor, Guilherme Borges, comentou sobre a ética no exercício da profissão de jornalista.
Guilherme Borges é formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), e pós-graduado em Comunicação Popular e Comunitária. Atualmente é radiojornalista da Paiquerê AM e docente da Universidade Norte do Paraná – UNOPAR. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo, Radiojornalismo e Jornalismo Especializado.
A entrevista foi realizada durante o primeiro semestre de 2008, com o objetivo de saber qual a visão de Borges sobre os abusos éticos cometidos pela imprensa em casos polêmicos, como o caso “Isabella Nardoni”. O professor também foi questionado sobre as particularidades do rádio como meio de informação e as atitudes de um radiojornalista ético.
Foto: Ana Carolina Oldemburgo
Ítalo: A cobertura que a mídia fez do Caso Isabella, é fruto do desejo que a sociedade tem pela morbidez ou ela está sendo maximizada para ser vendida depois?
Guilherme: Se a gente pegar as audiências dos programas policiais, que mostram os corpos expostos, que mostram a desgraça humana, podemos acreditar que o público gosta do mórbido. Quando você tem um crime que envolve uma garota de classe média, por exemplo, num aspecto totalmente diferente e ligado ao mórbido, com certeza isso vai ter uma repercussão muito grande. Agora quanto a ser maximizado para vender a empresa jornalística pode ter esse objetivo, mas o papel do jornalista tem um limite dentro disso. Se a empresa teve 46% de ibope na cobertura do caso Isabella Nardoni, é lógico que ela vai querer incentivar mais matérias desse assunto para manter o ibope. Mas não significa que para fazer isso, o jornalista tem que ser antiético, uma coisa não está relacionada com a outra, se o caso é de interesse público e está sendo solucionado, tem que ser noticiado. Agora na minha avaliação, o que precisa ficar claro é a forma como as coisas estão sendo mostradas.
Ítalo: Ao ver o Promotor Francisco Cembranelli na TV, temos a impressão de que ele alimenta o sensacionalismo, através dos resultados dos laudos e da perícia. Tivemos essa mesma sensação no Caso da Câmara dos Vereadores de Londrina – ‘Caso Bonilha’. Como você avalia a questão do ministério público se utilizar da mídia para fazer um bom trabalho?
Guilherme: É uma questão muito complexa para avaliarmos, primeiro porque não tenho acompanhado todo o trabalho do promotor lá de São Paulo, comparando com o Caso Bonilha, mas em relação ao ministério público, ele não usa a mídia para se promover, além disso, o objetivo dele de buscar aquilo que é de interesse comum da sociedade comunga com os interesses dos jornalistas, que também exercem a função de tornar público aquilo que é comum a sociedade. Desse modo, a imprensa séria, investigativa e ética e a promotoria séria e ética, em vários momentos podem falar a mesma língua.
Karina: Após ter trabalhado com o jornalismo impresso, quais foram os motivos que te levaram para o rádio?
Guilherme: Não foi uma escolha, não deixei de ter ido trabalhar na Folha de Londrina e escolhi trabalhar na rádio Paiquerê AM, fui demitido da Folha de Londrina e quatro meses depois, quase perto do final do ano, sabendo que ela costuma contratar repórteres temporários para cobrir as férias dos repórteres que saem em férias, liguei lá e fiz contato para me candidatar a vaga (temporária), coincidentemente houve uma mudança e eu fui convidado para integrar a equipe. Agora o rádio sempre foi uma paixão. E ainda durante a faculdade, fui estagiário de rádio, também fiz minha monografia e pós-graduação em rádio.
Karina: Por que não optou pelo rádio (após sair da faculdade)?
Guilherme: Por uma questão de oportunidade, na realidade eu fui para o rádio na faculdade, o meu TCC foi um projeto de rádio sobre o meio ambiente. Conseguimos um apoio cultural e colocamos esse programa na grade de programação da rádio da Universidade, por sete meses. Me formei em Dezembro,e logo no início do ano meu programa estreou, então trabalhei durante todo ano. Em seguida fui para a Folha de Londrina e agora estou na Paiquerê AM.
Karina: Quais seriam as particularidades na ética do radiojornalista?
Guilherme: O trabalho do repórter de jornal, por exemplo, é assim: ele recebe a pauta e escreve o texto, que passa pela mão do editor, ou seja, ele não escreve aquele texto sozinho, pois o editor faz um filtro. Já no rádio é muito difícil ter esse editor, o repórter se pauta, produz e edita a matéria. É claro que você tem a figura de um editor-chefe dentro de uma redação de rádio, mas não será ele que necessariamente vai pegar a sua matéria, vai ouvir e sugerir que você mude o texto e faça outro enfoque, como pode acontecer no caso do repórter de televisão e do repórter de impresso. O repórter de rádio é muito autônomo, mas é claro que deve ter responsabilidade ética do mesmo jeito. Na televisão, por exemplo, o jornalista pode não conseguir fechar um VT, por não ter a imagem, enquanto no rádio, com o celular, ele pode levar a informação na hora que o fato está acontecendo. Aí pode acontecer desse repórter não checar a informação direito, no momento de querer dar o furo. Por essa razão, antes de fechar uma informação, sempre penso na conseqüência para o público e para as pessoas envolvidas/entrevistadas.
Editado por Karen Krinchev

criado por Ética na Rede
22:11:54Em entrevista às alunas Débora Torri Albarello, Gabriela Baptistotti, Leilane Dalla Benetta e Thaís Marioto, para a disciplina de Ética Jornalística II, o jornalista e professor, Milton Antunes, comentou sobre a ética no exercício da profissão de jornalista. Editado por Rafaella Abrão.
Milton Antunes é formado pela UEL, em 1983, e pós-graduado, na Unopar, em Comunicação Visual e Mídias Interativas Trabalhou para a Globo em São Paulo. Em Londrina, trabalhou dois anos com publicidade, e dez anos como editor na TV Coroados.. Além de jornalista, ele também é professor da disciplina Telejornalismo, na Unopar. Antunes é sócio de uma empresa de comunicação e trabalha na área de TV, publicidade e impresso. 
Em sua opinião, o que é ética na TV?
Eu acho que a ética está relacionada à consciência do cidadão. O jornalista tem que saber muito bem o que está escrevendo, falando ou transmitindo. Não tem como você inventar informações e publicá-las, e agir como se nada tivesse acontecido. Ética é inerente ao ser humano. Só se faz um jornalismo ético quando você tem ética. A profissão de jornalismo é uma profissão bacana, em que você ouve as pessoas, se ambienta com o que está acontecendo. Depois de ter coletado todas as informações, todos os lados da notícia, você vai transmitir tudo aquilo que coletou para os ouvintes. A partir desse apanhado geral, envolvendo as opiniões de todos os segmentos envolvidos na reportagem, é que o leitor vai ter uma consciência crítica e ele mesmo vai formar uma opinião sobre tudo aquilo que você escreveu.
Com a ascensão do jornalismo em outras emissoras, o senhor acha que a qualidade das notícias vai melhorar ou somente aumentarão as reportagens superficiais?
Eu acredito que vai melhorar. Quanto mais profissionais cobrindo as matérias, maior a variedade de olhares sobre os assuntos. A busca pela audiência na televisão segue esse caminho: quem descobre o novo está na frente. Quanto mais concorrência, eu imagino que maior qualidade para o jornalismo.
O senhor acredita que a TV paga tem mais probabilidade de fazer um jornalismo independente do que a TV aberta?
Não. Eu acho que está no mesmo nicho de mercado. É um segmento diferente que pode ter um tratamento diferente, de maior aprofundamento nas reportagens. Mas é formatado nos mesmos critérios que a TV aberta.
O senhor acha que é possível fazer uma comparação entre o caso Escola Base e o caso da Isabella Nardoni?
O caso da Escola Base, eu acho que foi uma lição para os jornalistas. A imprensa embarcou na história, comprou uma versão e publicaram. Depois viram que não era nada disso, mas nem com o desmentido foi possível reverter a situação. O jornalismo investigativo é bacana, mas a investigação é coisa da polícia. A investigação aponta elementos, de maneira que tem uma outra etapa que é o julgamento. Só então que o sujeito pode, ou não, ser considerado culpado. Em um caso que envolve classe média alta, há a identificação de muita gente, além de um clamor popular por se tratar de uma criança. Então, eu temo que possa haver um pré-julgamento pelos jornalistas, devido a briga pela audiência.
De acordo com o Código de Ética, o uso de câmera escondida é permitido apenas em casos de “incontestável interesse público”. Em sua opinião, quem estaria apto a julgar quais seriam esses casos?
Eu acho que quando se pratica um jornalismo equilibrado, sério, ético, na própria reunião de uma redação, editoria, chefias e repórteres, você pode se questionar se o assunto é mesmo de interesse público. Se você fica em dúvida se está, ou não, passando dos limites, então você divide essa responsabilidade com um colega. Um profissional ético, capacitado, vai te ajudar e dizer se você realmente cometeu algum deslize. Tudo é uma questão de bom senso. Ninguém é dono da verdade e ninguém quer cometer crime de imprensa, como injúria, calúnia e difamação. Em 20 anos de profissão, dez anos de editoria, fechamento de jornal, botando o jornal no ar, eu nunca tive que dar o direito de resposta a ninguém. Nenhum processo.
O senhor é a favor da criação de um Conselho Nacional de Jornalismo?
Existem Conselhos para outras profissões, como o Conselho de Medicina, o Conselho de Odontologia, que regulamentam a profissão, examinam casos, tomam decisões sobre esses profissionais, ou seja, dão um olhar crítico sobre o exercício dessas profissões. Nesse aspecto, eu acredito que um Conselho de Jornalismo feito por jornalistas seria bem vindo. Seria um olhar crítico sobre a nossa profissão, cuidaria dos excessos, disciplinaria normas, enfim, somaria. Eu acho que fica “estranho” um poder público fazer a gestão disso. É arriscado afirmar que um modelo gestor que não conte com a participação de jornalistas tenha sucesso.
Por Rafaella Abrão

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