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Em entrevista aos alunos Elaine Damasceno, Roberto Ortega, Andréia Reis e Alexandre França, para a disciplina de Ética Jornalística II, o sociólogo e professor da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Wilson Sanches expõe a sua visão sobre os embates éticos na imprensa atual e as conseqüências na sociedade . Editado por Camila Papali.
O sociólogo faz parte do corpo docente da Unopar e leciona disciplinas que envolvem “comunicação e sociedade”.

1. A jornalista Elaine Tavares afirma que o fato jornalístico não surge do nada, que tem uma causa, você acredita que a grande mídia observa ou procura saber a causa da notícia que expõe com ética?
Primeiramente precisamos saber o verdadeiro papel da imprensa nos dias atuais e o que sempre foi dito que seria papel da imprensa, que é mostrar o que está acontecendo. O que acontece na verdade é a procura, a busca do termo “furo”. O “furo” demonstra que há uma procura por parte da imprensa pela notícia e informação. Nesse sentido, talvez seja uma procura ética quando você busca conhecer as fontes, analisar os vários lados da história. O fato em si, não necessariamente é um fato que se auto-explica, ele precisa de vários outros elementos para explicá-lo, e a explicação desses elementos pode mudar a visão das pessoas sobre o acontecimento. Então dentro de uma perspectiva de coerência do jornalismo, o “pesquisar o assunto”, o “ir atrás” é extremamente fundamental e benéfico.
2. Qual é o caminho alternativo para barrar o sensacionalismo e democratizar o acesso à informação?
Democratizar o acesso à informação é complicado porque nós ainda estamos em um tempo que as mídias têm seus proprietários e, portanto, o acesso é restrito. Publica-se aquilo que os proprietários querem que se publique. Eu acredito que com a internet temos sim um princípio de democratização, pois é um meio que eficazmente tem ida e volta, ou seja, é um duplo caminho que a pessoa não é apenas um consumidor passivo de notícia, mas também pode se reproduzir, pode falar aquilo que quer. Então a internet é uma via importante dentro da democratização do sistema de comunicação como um todo. Em relação ao sensacionalismo fica complicado, porque como a mídia comercial vive da exposição, da venda do seu tempo, da venda do espaço, ela precisa de coisas que chamem a atenção do seu publico para si. E nisso ele acaba explorando certos assuntos de forma sensacionalista a fim de atrair essa mídia, afinal vivemos em um sistema em que o lucro impera e essas empresas não são empresas filantrópicas, elas tem que visar manutenção e lucro. Eu não sei se minimizaria o sensacionalismo uma conscientização do público por uma busca menor de sensacionalismo. Há sensacionalismo de algumas matérias que ao invés de atrair a atenção, causa certo repúdio, e aí é deixada de lado. Pois sempre que há repúdio do público, ou seja, do leitor, do ouvinte, do telespectador em relação isso, a mídia faz uma auto-crítica e troca de assunto. Ela vê que expôs demais.
3. Falando do modelo on-line de jornalismo, segundo Alberto Dines, a sociedade está acatando o modelo on-line para se manter informada, dando mais credibilidade à sites do que à jornais impressosi. Você acha que os benefícios das novas tecnologias podem trazer um formato de modelo democrático de acesso à informação?
Ele pode ser um modelo democrático, não sei se no Brasil se configura dessa forma, tendo em vista que uma parcela minoritária tem acesso de fato à internet e a outras mídias. E quando eu falo acesso de fato quero dizer em ter habilidade suficiente para você manusear o instrumento, não simplesmente um site de busca ou um lugar para pesquisar um trabalho escolar, mas sim um lugar onde você tenha domínio do ambiente. Então se você coloca no aspecto domínio do ambiente o número de pessoas que terá acesso será mais restrito ainda. A possibilidade está ai. Só que o questionamento que se cria se essa total liberdade ou quase total liberdade que se tem na internet não gera também um problema ético. Afinal, não se tem compromisso com aquilo que está escrito. Muitos blogs e sites não têm uma vinculação direta entre a pessoa que escreveu e com o que está escrito. O autor é virtual, ele pode escrever qualquer coisa sem danos a si próprio. O que não acontece na mídia impressa, pois nesse modelo de mídia é vinculado o que está escrito a quem escreveu. O site que faz essa ligação goza de credibilidade.
4. O capitalismo é visto como o grande culpado pela falta de ética nos veículos. Você acredita que outro sistema político resolveria esse problema?
Eu acho que o capitalismo produz um determinado tipo de falta de ética por assim dizer, mas se analisarmos a história como um todo, podemos observar uma história incessante de homens que lutam pela ética. O elemento anti-ético está sempre presente, independente do sistema. É um problema de relacionamento entre os homens. Eu acho que o capitalismo tem a sua forma, ou seja, a forma do lucro, a forma de transformar tudo em mercadoria, tudo é feito para o mercado, então se o mercado rejeita, eu mudo o formato para o mercado aceitar. Agora, se você pega o comunismo real como teve, por exemplo, a União Soviética, você tem a censura por parte do estado porque não permite que certas coisas sejam publicadas, ou seja, só se publica o que é a favor do estado, se publica o que o estado quer. Então também é uma forma de não agir ético. E os jornalistas que estão nesses países ditatoriais têm sua maneira de burlar as leis e burlar a própria ética, ou seja, eu quero que meu texto seja publicado então não vou falar mal do governo. Diferentes formatos geram diferentes formas de não cumprir a ética. O que tem que se pensar, é que sempre há uma discussão em torno do que é a ética, essa relação entre os seres humanos, o que norteia as relações entre os homens, e cada tempo ele vai precisar de um formato novo de ética, de um pensamento novo sobre as possibilidades éticas, pois as possibilidades anti-éticas estão postas pelo próprio sistema.
5. A imprensa sensacionalista assume liderança de público principalmente no formato televisivo, o qual gera tanto sucesso. Você acredita que a imagem é comprada ou é realmente aquilo que as pessoas querem ver?
Tem duas coisas. Primeiro, o formato televisivo é extremamente atraente em um país que há um grande número de não leitores. A televisão é atraente, porque tem uma linguagem, fala e imagem. Não necessita ler. O caso sensacionalismo de programas que vão atrás de notícias de cunho policial, faz voltar na questão de que o povo sente que alguém está fazendo justiça por ele. Que alguém está indo atrás, que não está sendo encoberto, que está sendo posto e que está sendo revelado a todos. Não sei se também por parte de quem faz isso também não há esse tipo de sentimento, porque uma coisa é você falar do que é o problema, a outra é você mostrar o que move as pessoas a fazerem isso. É lógico que o canal televisivo que propõe isso não vai manter isso no ar se não tiver audiência, porque precisa de audiência para manter suas propagandas, para manter o seu ganho, pois é um custo alto.E quem produz isso, talvez também seja motivado a fazer justiça. As pessoas assistem por se identificarem com todo o acontecido e ver que alguém intercede por ele em instâncias maiores.
Por Camila Papali

criado por Ética na Rede
23:18:00Em entrevista produzida para a disciplina Ética Jornalística I, no primeiro semestre deste ano, pelos alunos da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) Jaqueline Gibim, Mayara Cunha, Vitor Hugo e editada por Maíra Palmieri. Teve a presença do o ex-professor e atual editor-chefe da TV Sinal em Curitiba, Edenilson de Almeida.
Almeida formou-se em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1992. Fez pós-graduação em Administração de Marketing e Propaganda pela mesma Universidade, em 1996. Após cinco anos defendeu o Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), com a dissertação “A notícia nacional – como o Jornal Nacional decide o que é notícia”. Ele já trabalhou para a Folha de Londrina, TV Cidade afiliada do SBT em Londrina, Jornal de Londrina (JL), TV Coroados (Londrina), TV Paranaense (Curitiba), TV MIX onde foi produtor/apresentador do Mix Cidadania, produtor e editor do Factual e Viva Bem, colaborador da Editora Abril, produzindo reportagens para as revistas Viva Mais, Cláudia e Viagem e Turismo, outros trabalhos que já exerceu. Atuou também como Assessor de Imprensa nas diversas oportunidades, destacando os trabalhos feitos para a Saúde 99 Feira Internacional da Saúde, Filo 2002,Catuaí Collection 2003, Metamorfose 2006, Metronorte. A partir de 1999 começou a carreira acadêmica, ministrando aulas na Fundação Municipal de Assis (FEMA), estado de S. Paulo, Universidade Norte do Paraná – Unopar e Metropolitana (ambas em Londrina), Uniandrade e Universidade Tuiuti do Paraná (ambas em Curitiba). As disciplinas dadas por Almeida sempre foram Técnica de Reportagem, entrevista e pesquisa jornalística, história do jornalismo e telejornalismo.
A entrevista feita pelos alunos discute o tema da Importância da Escola de Jornalismo na formação da ética profissional.
1 - Como você definiria ÈTICA?
Eu vejo a ética como um princípio de conduta que permeia as relações humanas, principalmente naquilo em que não exista uma regulamentação formal estabelecida. Um exemplo bem simples, talvez até vulgar, é não fazer com os outros nada que não gosto que façam comigo. No campo do jornalismo, aceitar convites para shows, cinema, "rega bofes", presentes de empresários, políticos é agir com falta de ética. Não é só isso. Talvez seja o exemplo mais fácil e próximo. Aliás, muitos estudantes de jornalismo já me disseram que entraram no curso para irem aos estádios sem pagar. Se vocês quiserem um sinônimo bem corriqueiro, acho que ética tem a ver com "vergonha na cara". Certamente no campo teórico, vocês já encontraram outras definições. Mas vergonha na cara acho, neste momento, o que melhor defina a ética.
2- Você acha que se o estágio fosse regulamentado, os alunos conseguiriam ter uma visão mais ampla de como exercer um trabalho ético? Por quê?
Não vejo relação entre as duas situações. Se o estudante não tem ética na vida, na universidade, se ele copia matéria da internet e tenta enrolar o professor, se não cumpre os prazos estabelecidos, se não aprendeu com os pais a respeitar o outro, terá muitas dificuldades em se relacionar com as pessoas. E isso independe de lugar. Um estudante que desrespeita a Lei Seca, por exemplo, não precisa ir para a redação de um jornal, estagiar na assessoria de imprensa da Polícia ou de um hospital, para aprender que não pode beber e dirigir. Vocês, estudantes da Unopar, não vão ter ética porque tiveram aulas sobre o tema. As aulas trarão a reflexão, nunca a atitude. Da mesma forma, estagiar não fará de nenhum aluno mais ou menos ético. Por mais paradoxal que possa parecer, ética não se aprende. Ou se tem, ou não se tem.
3 - Um trabalho feito com ética, quais principais requisitos para exercê-lo?
Dentro do jornalismo, técnica e teoricamente, parece bem simples: apurar as informações, levantar os dados, não distorcer falas e opiniões, não tirar do contexto, ouvir todas as partes envolvidas, não emitir opinião, não dar o "carteiraço", tratar as pessoas com respeito independentemente do cargo e poder que elas tenham. Parece simples. Mas viver isso é um grande desafio diário. Acho que foi o Cláudio Abramo que disse que o jornalismo é o exercício cotidiano do caráter. Eu concordo totalmente com ele. Estabelecer uma relação de confiança com a fonte e não decepcioná-la, saber ouvir é talvez sejam os primeiros passos para uma longa caminhada que não se esgota nunca.
4 - Como cobrar uma postura ética?
Acho que a melhor forma é pelo exemplo. Só se pode cobrar uma postura ética, sendo ético. Nas relações de autoridade, o exemplo é a melhor pedagogia. Eu parto do princípio que não posso cobrar do outro algo que nem eu faço. Como editor-chefe da TV Sinal, além de primar pelo bom texto, pela correção das informações, com o respeito às fontes e ao público, a minha própria postura precisa demonstrar isso para toda a equipe. Do contrário, não se consegue absolutamente nenhum resultado.
5 - De todos os empregos que atuou, já teve algum episódio que você considerou uma postura antiética?
Na minha modesta avaliação, creio que eu, diretamente, nunca tenha sido anti-ético. O que não significa que os veículos não tenham sido. Vou citar apenas um exemplo que me envolvia diretamente: quando eu tinha a coluna sobre televisão no Jornal de Londrina, eu publicava as opiniões dos leitores – mesmo quando eles discordavam de maneira desrespeitosa. E jamais retruquei uma crítica, porque no final das contas, a última palavra sempre seria minha. Se eu tenho o direito de publicar minha opinião, o leitor tem o mesmo direito de discordar e devo publicar a opinião dele.
6 - E uma postura ética, da qual você admirou?
Não foi de um veículo de comunicação diretamente, mas da polícia. Londrina teve um delegado chefe que proibiu as emissoras de rádio e televisão de entrevistarem os suspeitos de crimes. Toda a imprensa chiou, mas eu fiquei fã do delegado por uma razão simples: só bandido pobre e negro vai para aqueles "paredões" que fazem a "festa" dos programas policiais. "Bandido" graúdo negocia rendição porque tem direito à própria imagem. O delegado estendeu essa prerrogativa a todos, preservando os pobres e negros. Jornalista também deve respeitar a lei e tratar a todos com igualdade.
7 - Discute-se muito sobre a criação de dois códigos de ética; um para os assessores de imprensa e outro para os ‘jornalistas’. Você defende a criação de códigos distintos?
Coloco uma reflexão: para fazer assessoria de imprensa, o cidadão precisa ser jornalista. Jornalista é o profissional que apura as informações, depura-as e repassas ao público . Se o assessor de imprensa tiver isso em mente, preocupar-se em transformar o assessorado em notícia – correta e sem distorções – para o público e não para o empresário, ele não precisa de um código diferente. Mas se isso não for possível, o mais recomendável é que tenha outra regulamentação. O que nós não podemos achar é que assessor de imprensa faz marketing da empresa. O assessor é a interface entre a empresa e a imprensa, sempre levando em consideração o que é notícia. Se o profissional não consegue diferenciar os papéis, então é melhor responder a um código diferente.
Por Maíra Palmieri

criado por Ética na Rede
20:32:01 Nas próximas edições a Equipe Ética na Rede estará publicando entrevistas dos alunos de graduação em Jornalismo feitos no semestre passado para a disciplina Ética jornalística II, quando cursavam o terceiro semestre do curso. Na seqüência faremos um especial com materiais produzidos pelos alunos da pós-graduação em Assessoria de Imprensa na Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). O nosso intuito é integrar trabalhos feitos em sala de aula, abrindo e incentivando a participação das pessoas em nosso blog.
Agora, confira a entrevista com professor da UNOPAR e assessor de imprensa da Prefeitura de Londrina Reinaldo Zanardi. O texto foi produzido pelas acadêmicas Ariane Pires, Josiane Moreira, Paula Duarte e Raquel Mika.
Reinaldo César Zanardi formou-se em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1993. Zanardi já foi assessor de imprensa de empresas e movimentos populares, e hoje, atua como assessor de imprensa da Prefeitura de Londrina e também é docente de redação, comunicação e comunidade, laboratório de jornalismo imprenso e online na Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) desde 2000.
Desde 2003, Zanardi mantém um projeto de extensão Gente Comum, associado à disciplina de Produção em Comunicação Comunitária. Trata-se de um projeto comunitário que visa melhorar a qualidade do ensino dos alunos e integrar o ensino desenvolvido nos laboratórios da Unopar com a prática jornalística comunitária. Os alunos participantes são do 2º ao 4º ano. Ao todo são 63 alunos envolvidos no projeto.
Em 2006, o projeto Gente Comum recebeu o segundo lugar na categoria Projeto em Radiojornalismo com ”A voz da criança no jornalismo comunitário”, e o terceiro lugar com “Gente de Talento” no 11º Prêmio Sangue Novo no Jornalismo Paranaense, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, em Curitiba.
1 - Quais são as diferenças entre mídia comunitária e comunicação em massa?
Comunicação em massa é feita principalmente pelos veículos comerciais, como o nome diz: para as multidões. Ela tem um interesse comunitário muito grande que toda informação de melhoria da quantidade de uma população, seja pelo asfalto, seja pela saúde, seja pela creche, tem um interesse e vai ajudar a comunidade. Já a mídia comunitária, entendida como instrumento da comunidade, essa comunidade participa de forma ativa. Estabelecem o que é notícia, o que é conteúdo, e se inserindo de forma ativa nesse processo, “dizendo” como ele quer que a notícia seja veiculada. E na comunicação de massa é apenas um expectador.
2 - Você acha que a ética é diferente na comunicação comunitária e comunicação em massa?
Depende do profissional, você pode ter profissional anti-ético na mídia comunitária e anti-ético na mídia convencional.
3 - É possível determinada fonte se auto promover em cima da função de repassar informações? Como isto acontece? Já presenciou alguma situação?
Toda fonte que é fonte de informação, querendo ou não ela tem seus interesses, e elas tem como se promover quando elas são fontes de informação de determinados veículos ou jornalistas. Isso não é ruim, porque todo mundo se auto promove, como você se auto promove? Com base na mentira, com base na manipulação? Esse é o problema. Imagina uma liderança comunitária, que luta pela melhoria da qualidade de vida de um bairro, melhoria de asfalto, serviços públicos, creche, escola. Se ele luta por isso ele acaba tendo visibilidade, é um processo natural, se auto promover não é o problema, o problema é o que se faz para se promover. Situações? Acontecem todos os dias, tanto na comunidade, lideranças comunitárias, como lideranças que não são comunitárias. Um exemplo que é legítimo, os moradores que fazem parte do conjunto Neuma Sayhum, na região sul de Londrina, que tem problemas, de casas que foram construídas, num local que é de preservação ambiental, os líderes de movimentos que estão horas na câmara, na prefeitura, estão na imprensa, estão se auto promovendo. Só que eles têm que se organizar porque aquilo é irregular e eles pagaram por um produto que é ruim.
4 - Até que limite a falta de ética deve ser aceitável?
Falta de ética nunca é aceitável, você deve estabelecer uma relação do que você pode fazer de errado, já parte de algo que é errado. Agora se você perguntar para os profissionais se eles já tiveram atitudes que não foram tão éticas, dependendo da situação, muitas vezes todos já passaram por isso, agora você tem falta de ética que acarreta um tipo de prejuízo que é pequeno, e outros que grandes. Exemplo: Não checar o nome de uma fonte e publicar errado, não checou? É falta de ética, essa não traz um prejuízo muito grande, apenas para a pessoa que tem o nome grafado errado. Agora você dizer que uma pessoa matou outra, isso não é verdadeiro, o prejuízo é muito maior.
5 - Sabemos que o sensacionalismo está claramente presente dentre os meios de comunicação, você acha que isso acontece devido à abertura e importância que foi dada a eles? De quem é a culpa? Como reverter isso?
Eu chamaria de responsabilidade, e não sensacionalismo. Geralmente quem tem uma ação sensacionalista, é irresponsável, porque o peso da irresponsabilidade dele dá pra medir, enquanto o peso do sensacionalismo, fica no próprio sensacionalismo. A responsabilidade dá muito mais conta de você traçar uma relação ética, do que o próprio sensacionalismo, acontece por vários fatores, principalmente porque o jornalista quer se auto promover e o veículo não quer perder a possibilidade de publicar uma notícia, por medo de levar um furo, não checar a informação e não faz o processo necessário, passa por cima de uma série de fatores que precisam ser cumpridos, e acaba sendo irresponsável. Tem uma parcela muito grande de responsabilidade de um veículo de comunicação e principalmente do profissional, falam que a pessoa é anti-ética e sensacionalista, porque o dono quer. Pergunte para os profissionais quanto tempo de casa, e quantas vezes o dono do jornal foi lá. A linha editorial do jornal é feita no dia-a-dia pelos profissionais. Mas, o público também tem parcela, apesar de muitas vezes nem saber que o sensacionalismo existe. Depende muito do leitor, para saber questionar.
6 - É possível ser ético e ser um assessor de um político corrupto? Como?
É possível, é difícil, e esse assessor vai ter muita dor de cabeça. Se a prática do assessorado não é uma prática ética, o trabalho do assessor vai estar comprometido. Ele não tem uma autonomia cem por cento.
Por Ana Carolina Oldemburgo

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20:47:56 A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou essa semana um Manisfesto intitulado: “Em defesa do Jornalismo, da Sociedade e da Democracia
no Brasil”. O texto relata que o Supremo Tribunal Federal, está para julgar o recurso que se aprovado elimina a obrigatoriedade do diploma de Curso Superior em Jornalismo para exercer a profissão.
Muito mais do que simplesmente conseguir um diploma, o curso superior significa qualidade no exercício de qualquer profissão, não só do jornalismo. Extinguir a obrigatoriedade do diploma pode comprometer diretamente na qualidade das informações que seriam repassadas à sociedade, já que qualquer pessoa independentemente da formação poderia atuar como jornalista.
Além disso, a exigência de diploma não estreita a liberdade de imprensa nem significa que as demais pessoas ficam impedidas de se manifestar na mídia. Elas podem sim dar sua opinião através das colunas, espaços do leitor, seções de cartas, entre outros. E assim como tem direito à liberdade de expressão a sociedade também tem direito de receber informação de qualidade apurada por profissionais que possuam formação teórica, técnica e acima de tudo ética para isso.
Talvez por esse e por outros motivos é que seja necessário reacender as luzes em torno do debate sobre a criação do Conselho Federal dos Jornalistas que, entre outras coisas, vê a necessidade da formação para exercer a profissão, como forma de garantir um jornalismo responsável e de qualidade. Mas isso já é assunto para um outro post. O que o Ética na Rede quer saber agora é a sua opinião, seja como estudante, jornalista ou cidadão.
O Manifesto da Fenaj na íntegra pode ser acessado em: http://www.fenaj.org.br/diploma/manifesto.doc
Você é a favor ou contra a obrigatoriedade do diploma?!Pense e comente a respeito!
Por Jackelyne Brites

criado por Ética na Rede
15:29:16Ainda em 1848, Sorel Kierkegaard escreveu “De fato, se a imprensa diária tal como acontece com outros grupos profissionais, tivesse de pendurar um letreiro, seus dizeres deveriam ser os seguintes: aqui homens são desmoralizados com a maior rapidez possível, na maior escala possível e ao preço mais baixo possível”.
Mas afinal qual é esse preço? Ou melhor dizendo, quanto a imprensa já pagou por um caso mal apurado como o Caso Escola Base?
Rede Globo = R$ 1,35 milhão.
O Estado de S. Paulo = R$ 750.000
Folha de S. Paulo = R$ 750.000
Grupo Folha da Manhã = R$ 200.000
Isto É = R$ 360.000
Além desses veículos, o governo paulista em 1996 foi condenado a pagar R$ 250.000 a cada acusado, mas recorreram e o caso não foi decidido. Também foram processados: a revista Veja; as emissoras - Record, SBT e a Bandeirantes. Contudo, a Record, teve a apelação contra ela arquivada, pois não conseguiu juntar provas vídeos documentais que provassem os danos morais. Quanto ao SBT e a Bandeirantes, tiveram seus processos mandados de volta à primeira instância pelo mesmo motivo.
Mas será que tal ressarcimento repara os danos morais sofridos pelos donos e pelo motorista da Escola Base? São eles, Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada e Maurício Monteiro de Alvarenga.
Entenda o caso...
Em março de 1994, a imprensa publicou reportagens sobre seis pessoas que estariam envolvidas no abuso sexual de crianças, alunos da Escola Base, localizada no Bairro da Aclimação, em São Paulo. Jornais, revistas, emissoras de rádio e de televisão basearam-se em fontes oficiais - polícia e laudos médicos - e em depoimentos de pais de alunos.
Não apenas acolheram as acusações sem provas concretas, como também as ampliaram. Assumindo, neste caso, verdades absolutas obtidas através de denúncias inconsistentes. Tudo era válido para falar da “escolinha do sexo”. Uma manchete da extinta Folha da Tarde revela nitidamente o tom sensacionalista que foi dado ao caso: “Perua escolar carregava as crianças para orgia”.
Trata-se de um abuso. Quando foi descoberto, a escola já havia sido depredada, os donos estavam falidos e eram ameaçados de morte em telefonemas anônimos.
Após investigações, o processo foi arquivado por falta de provas, os acusados foram considerados inocentes e entraram com ação na Justiça por danos morais.
A Justiça cobrou, alguns pagaram. Passados 14 anos, as indenizações somam alguns milhões de reais. Os prejudicados ganharam a ação em todas as instâncias. Mas vale lembrar, que vários destes processos ainda tramitam no judiciário, devido a recursos e medidas protelatórias.
Alex Ribeiro, em “Caso Escola Base - Os Abusos da Imprensa”, relata como foi a atuação da imprensa neste episódio, considerado um dos mais perversos da história do jornalismo no Brasil. Através do livro podemos refletir como é grande a influência dos meios de difusão da informação de massa em nossa sociedade, além de podermos perceber com clareza a falta do cumprimento dos deveres, princípios éticos e morais dos veículos de comunicação.
Este é um caso que reascende o debate sobre as possibilidades e limites da liberdade de imprensa. No caso da Escola Base, os erros na apuração, precipitação em divulgar novos fatos e, principalmente, a concepção sensacionalista que norteou a cobertura jornalística criminalizou os suspeitos antes mesmo da decisão da Justiça.
Cabe então o questionamento: que o caso Escola Base vale como aprendizado, é correto. Mas, a imprensa realmente aprendeu?
Referência Bibliográfica:
- RIBEIRO, Alex. Caso Escola Base – Os abusos da Imprensa. São Paulo: Editora Ática, 2001
- Disponível em: http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=1410. Acesso em: 11 de junho de 2008.
- Disponível em: http: //www.comunique-se.com.br. Acesso em: 11 de junho de 2008.
Por Karen Krinchev

criado por Ética na Rede
14:25:07