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Em entrevista às alunas Débora Torri Albarello, Gabriela Baptistotti, Leilane Dalla Benetta e Thaís Marioto, para a disciplina de Ética Jornalística II, o jornalista e professor, Milton Antunes, comentou sobre a ética no exercício da profissão de jornalista. Editado por Rafaella Abrão.
Milton Antunes é formado pela UEL, em 1983, e pós-graduado, na Unopar, em Comunicação Visual e Mídias Interativas Trabalhou para a Globo em São Paulo. Em Londrina, trabalhou dois anos com publicidade, e dez anos como editor na TV Coroados.. Além de jornalista, ele também é professor da disciplina Telejornalismo, na Unopar. Antunes é sócio de uma empresa de comunicação e trabalha na área de TV, publicidade e impresso. 
Em sua opinião, o que é ética na TV?
Eu acho que a ética está relacionada à consciência do cidadão. O jornalista tem que saber muito bem o que está escrevendo, falando ou transmitindo. Não tem como você inventar informações e publicá-las, e agir como se nada tivesse acontecido. Ética é inerente ao ser humano. Só se faz um jornalismo ético quando você tem ética. A profissão de jornalismo é uma profissão bacana, em que você ouve as pessoas, se ambienta com o que está acontecendo. Depois de ter coletado todas as informações, todos os lados da notícia, você vai transmitir tudo aquilo que coletou para os ouvintes. A partir desse apanhado geral, envolvendo as opiniões de todos os segmentos envolvidos na reportagem, é que o leitor vai ter uma consciência crítica e ele mesmo vai formar uma opinião sobre tudo aquilo que você escreveu.
Com a ascensão do jornalismo em outras emissoras, o senhor acha que a qualidade das notícias vai melhorar ou somente aumentarão as reportagens superficiais?
Eu acredito que vai melhorar. Quanto mais profissionais cobrindo as matérias, maior a variedade de olhares sobre os assuntos. A busca pela audiência na televisão segue esse caminho: quem descobre o novo está na frente. Quanto mais concorrência, eu imagino que maior qualidade para o jornalismo.
O senhor acredita que a TV paga tem mais probabilidade de fazer um jornalismo independente do que a TV aberta?
Não. Eu acho que está no mesmo nicho de mercado. É um segmento diferente que pode ter um tratamento diferente, de maior aprofundamento nas reportagens. Mas é formatado nos mesmos critérios que a TV aberta.
O senhor acha que é possível fazer uma comparação entre o caso Escola Base e o caso da Isabella Nardoni?
O caso da Escola Base, eu acho que foi uma lição para os jornalistas. A imprensa embarcou na história, comprou uma versão e publicaram. Depois viram que não era nada disso, mas nem com o desmentido foi possível reverter a situação. O jornalismo investigativo é bacana, mas a investigação é coisa da polícia. A investigação aponta elementos, de maneira que tem uma outra etapa que é o julgamento. Só então que o sujeito pode, ou não, ser considerado culpado. Em um caso que envolve classe média alta, há a identificação de muita gente, além de um clamor popular por se tratar de uma criança. Então, eu temo que possa haver um pré-julgamento pelos jornalistas, devido a briga pela audiência.
De acordo com o Código de Ética, o uso de câmera escondida é permitido apenas em casos de “incontestável interesse público”. Em sua opinião, quem estaria apto a julgar quais seriam esses casos?
Eu acho que quando se pratica um jornalismo equilibrado, sério, ético, na própria reunião de uma redação, editoria, chefias e repórteres, você pode se questionar se o assunto é mesmo de interesse público. Se você fica em dúvida se está, ou não, passando dos limites, então você divide essa responsabilidade com um colega. Um profissional ético, capacitado, vai te ajudar e dizer se você realmente cometeu algum deslize. Tudo é uma questão de bom senso. Ninguém é dono da verdade e ninguém quer cometer crime de imprensa, como injúria, calúnia e difamação. Em 20 anos de profissão, dez anos de editoria, fechamento de jornal, botando o jornal no ar, eu nunca tive que dar o direito de resposta a ninguém. Nenhum processo.
O senhor é a favor da criação de um Conselho Nacional de Jornalismo?
Existem Conselhos para outras profissões, como o Conselho de Medicina, o Conselho de Odontologia, que regulamentam a profissão, examinam casos, tomam decisões sobre esses profissionais, ou seja, dão um olhar crítico sobre o exercício dessas profissões. Nesse aspecto, eu acredito que um Conselho de Jornalismo feito por jornalistas seria bem vindo. Seria um olhar crítico sobre a nossa profissão, cuidaria dos excessos, disciplinaria normas, enfim, somaria. Eu acho que fica “estranho” um poder público fazer a gestão disso. É arriscado afirmar que um modelo gestor que não conte com a participação de jornalistas tenha sucesso.
Por Rafaella Abrão
criado por Ética na Rede
17:10:21