Ética na Rede

O Blog reflete sobre o fazer jornalístico. Projeto de extensão da Unopar. São responsáveis as estudantes, Carolina Oldemburgo, Camila Papali, Jackelyne Brites, Karen Krinchev, Maíra Palmieri e Rafaella Abrão, sob a coordenação da profª: Sônia Lenira

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Terra Blog

24.06.08

Os custos dos erros: Escola Base

Ainda em 1848, Sorel Kierkegaard escreveu “De fato, se a imprensa diária tal como acontece com outros grupos profissionais, tivesse de pendurar um letreiro, seus dizeres deveriam ser os seguintes: aqui homens são desmoralizados com a maior rapidez possível, na maior escala possível e ao preço mais baixo possível”.

Mas afinal qual é esse preço? Ou melhor dizendo, quanto a imprensa já pagou por um caso mal apurado como o Caso Escola Base?

Rede Globo = R$ 1,35 milhão.

O Estado de S. Paulo = R$ 750.000

Folha de S. Paulo = R$ 750.000

Grupo Folha da Manhã = R$ 200.000

Isto É = R$ 360.000


Além desses veículos, o governo paulista em 1996 foi condenado a pagar R$ 250.000 a cada acusado, mas recorreram e o caso não foi decidido. Também foram processados: a revista Veja; as emissoras - Record, SBT e a Bandeirantes. Contudo, a Record, teve a apelação contra ela arquivada, pois não conseguiu juntar provas vídeos documentais que provassem os danos morais. Quanto ao SBT e a Bandeirantes, tiveram seus processos mandados de volta à primeira instância pelo mesmo motivo.

Mas será que tal ressarcimento repara os danos morais sofridos pelos donos e pelo motorista da Escola Base? São eles, Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada e Maurício Monteiro de Alvarenga.

Entenda o caso...

Em março de 1994, a imprensa publicou reportagens sobre seis pessoas que estariam envolvidas no abuso sexual de crianças, alunos da Escola Base, localizada no Bairro da Aclimação, em São Paulo. Jornais, revistas, emissoras de rádio e de televisão basearam-se em fontes oficiais - polícia e laudos médicos - e em depoimentos de pais de alunos.

Não apenas acolheram as acusações sem provas concretas, como também as ampliaram. Assumindo, neste caso, verdades absolutas obtidas através de denúncias inconsistentes. Tudo era válido para falar da “escolinha do sexo”. Uma manchete da extinta Folha da Tarde revela nitidamente o tom sensacionalista que foi dado ao caso: “Perua escolar carregava as crianças para orgia”.

Trata-se de um abuso. Quando foi descoberto, a escola já havia sido depredada, os donos estavam falidos e eram ameaçados de morte em telefonemas anônimos.

Após investigações, o processo foi arquivado por falta de provas, os acusados foram considerados inocentes e entraram com ação na Justiça por danos morais.

A Justiça cobrou, alguns pagaram. Passados 14 anos, as indenizações somam alguns milhões de reais. Os prejudicados ganharam a ação em todas as instâncias. Mas vale lembrar, que vários destes processos ainda tramitam no judiciário, devido a recursos e medidas protelatórias.

Alex Ribeiro, em “Caso Escola Base - Os Abusos da Imprensa”, relata como foi a atuação da imprensa neste episódio, considerado um dos mais perversos da história do jornalismo no Brasil. Através do livro podemos refletir como é grande a influência dos meios de difusão da informação de massa em nossa sociedade, além de podermos perceber com clareza a falta do cumprimento dos deveres, princípios éticos e morais dos veículos de comunicação.

Este é um caso que reascende o debate sobre as possibilidades e limites da liberdade de imprensa. No caso da Escola Base, os erros na apuração, precipitação em divulgar novos fatos e, principalmente, a concepção sensacionalista que norteou a cobertura jornalística criminalizou os suspeitos antes mesmo da decisão da Justiça.

Cabe então o questionamento: que o caso Escola Base vale como aprendizado, é correto. Mas, a imprensa realmente aprendeu?

Referência Bibliográfica:

- RIBEIRO, Alex. Caso Escola Base – Os abusos da Imprensa. São Paulo: Editora Ática, 2001

- Disponível em: http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=1410. Acesso em: 11 de junho de 2008.

- Disponível em: http: //www.comunique-se.com.br. Acesso em: 11 de junho de 2008.

Por Karen Krinchev

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